
«Ler o passado é às vezes mais difícil que prever o futuro»
Alexandre Herculano
É tempo de férias… para todos merecidas. Contudo, para muitos, a vida não está para grandes «festivais» e, para esses, nos quais me incluo, essas férias serão gozadas pelas redondezas.
Quantos de nós, que moramos na grande Lisboa, não visitamos os nossos monumentos, os nossos museus, os nossos jardins?
A nossa querida Lisboa, tão martizada por sucessivas políticas de desleixo, chorando os seus filhos, empurrados para a periferia, mesmo assim, orgulhosa, vai resistindo como uma linda senhora.
Hoje vou ter a ousadia de sugerir uma visita ao mais antigo monumento de Lisboa: a sua Catedral.
Esta obra remonta ao séc. XII, foi mandada construir pelo nosso primeiro rei, sendo erigida num local que anteriormente já era local de culto de sucessivas civilizações. Os romanos pagãos, os romanos já cristianizados, os visigodos e também os árabes, ali adoraram os seus deuses.
A planta primitiva do edifício é em cruz latina, com orientação a nascente obedecia ao estilo românico tardio, aproximando-se ao gótico, estilo ao qual pertence, aliás, o seu claustro.
Não se conhecendo o autor do projecto, aponta-se para algum monge normando que acompanharia os cruzados na ajuda a D.Afonso Henriques. A mão-de-obra, essa gente que a história sempre esquece, terá sido fundamentalmente constituída por mouros, cativos e forrós.
O edifício que resistiu ao terramoto de 1755, embora ficando bastante arruinado, tem sofrido várias alterações, algumas delas bastante polémicas. Sobre estas poderemos ler um artigo publicado no livro «Diversos 3», da autoria de Augusto Vieira da Silva, edição da CML.
Quem quiser conhecer profundamente o monumento, pode socorrer-se do excelente livro de Eduardo Sucena, «A Sé Patriarcal de Lisboa», edição Setecaminhos, 2004.
Aprendamos a gostar da nossa História: é barato e levanta a auto-estima.
Boas férias… e boas leituras.
a foto é de
http://eunovelhocontinente.blogspot.com/2007/12/catedral-de-lisboa-s-patriarcal.html