quinta-feira, dezembro 10, 2009

Os Irmãos Flores Magón – suas ideias e influência na Revolução Mexicana

«Podemos ver que o povo mexicano está apto para chegar ao comunismo, porque o tem praticado, ao menos em parte, desde muitos séculos»

Ricardo Flores Magón


«Diga ao Presidente Díaz que escolher morrer sem ver os meus filhos. Diga aos meus filhos que prefiro vê-los pendurados numa árvore ou garroteados a presenciar o seu arrependimento por coisas que fizeram ou disseram».

Margarita Magón


Assim respondia Margarita Magón a um emissário de Porfírio Díaz, que oferecia a liberdade aos seus filhos, Ricardo e Henrique, em troca de um acto de contrição pública dos mesmos em favor do ditador mexicano.

Margarita era uma mestiça casada com o índio Teodoro Flores, oficial que havia participado no exército de Benito Juárez e lutado ao lado do então revolucionário Porfírio Díaz, contra as forças conservadoras no México.

Do resultado dessa união, nasceram três filhos: Jesús, Ricardo e Henrique. Muito cedo aprenderam com os pais a necessidade de lutar pela liberdade, As palavras que ouvia de seu pai eram:

«Como era diferente a vida em Teótilán (cidade onde nasceram os Magón, na década de 70 do ano 1800, situada na região de Oaxaca), e nas suas cercanias. Lá tudo se possui em comum, menos as mulheres. Todas as terras que rodeiam as nossas cidades pertencem à comunidade inteira. Pelas manhãs saímos para trabalhar nas terras, todos, menos os doentes, os idosos, os inválidos, as mulheres e as crianças. E cada um o faz com alegria, porue lhes dá forças saber que o trabalho será para o bem comum. Assim, quando é a época de colheita e de repartimento dos géneros entre os membros da tribo, cada um recebe de acordo com a sua necessidade. Por isso não há entre nós nem ricos nem pobres, nem ladrões nem mendigos».

Contudo, as ideias que lhes vinham da infância, não eram característica única desta família. De um modo geral todas as famílias índias lutavam pela preservação da sua cultura, da sua vivência colectiva, contra o invasor espanhol. Para os resistentes não se tratava apenas de uma questão de sobrevivência, que estaria assegurada pela submissão ao invasor. A questão tinha a ver com a recusa em viver com códigos de conduta alheios e, a defesa da forma de vida a que chamavam «O Costume» acompanhado de um profundo misticismo.

Esta defesa da manutenção da posse social da terra, as formas de representação política directa em assembleias impedia a consolidação de um Estado Nacional e a viabilidade de um capitalismo-conservador, defendido por Porfírio Díaz.

A luta dos indígenas, pela defesa das terras comunais, teve um impulso com a independência do México, e, foi reforçada pelos ecos e ideias de liberdade, igualdade e fraternidade, de que tinha sido exemplo recente, a Comuna de Paris, em 1871.

No último quartel deste século, várias revoltas armadas atravessam todo o México: Juan Santiago, à frente de uma força armada indígena tomava a cidade de Tamazunchale, debaixo da consigna: «Morte a todos os que usam calças de brancos», a Cidade de Muez é ocupada e o exército indígena arranca do governo parte das terras dos latifundiários. Há revoltas armadas, também, em Potosí, Papantla e Vera Cruz. Porfírio Diáz, extenuado, chega mesmo a assinar um tratado de paz no qual se comprometia a devolver as terras comunais. Cabe aqui dizer que muitas destas revoltas acabavam na morte por reacção governamental.

Foi neste contexto de lutas, de ideias revolucionarias, que na década de 90 daquele século, que os irmaõs Magón, iniciaram as suas actividades políticas. Lançaram o jornal «Regeneración», defendendo ideias liberais radicais e, ao mesmo tempo preparando o congresso fundador do Partido Liberal do México. O teor revolucionário da nova organização não permitia, entretando, a sua permanência no país. A polícia de Diáz persegueia os dirigentes do PLM, obrigando-os a exilar-se nos EUA. O jornal passou a ser publicado também no exílio e distribuído clandestinamente em todo o território mexicano.

No ano de 1906, o Partido Liberal lança, com enorme repercussão, o seu programa , um «Manifesto à Nação Mexicana». O Manifesto, com forte teor anticlerical, previa uma transformação radical nas relações de trabalho, na distribuição das terras e na organização geral da sociedade mexicana. No seu artigo 50, o manifesto afirmava:
«Ao triunfar o Partido Liberal, serão confiscados os bens dos funcionários enriquecidos pela ditadura actual, as terras serão restituídas aos yaquis, mayas e outras tribos, comunidades e indivíduos, e o que se produz será posto ao serviço de amortização da dívida nacional».

O PLM estava clandestino no México. mas o «Regeneración» continuava a difundir as suas ideias. Entre 1906 e 1908, diversas greves, sobretudo nas minas e fábricas de tecidos, e guerrilhas estouram influenciadas pelas células anarquistas. As greves acontecm com violência, e são reprimidas com energia pelo governo.

Em 1911, em pleno ascenso da Revolução Mexicana, os anarquistas, tendo à frente Ricardo Flores Magón, ocupam a Baixa Califórnia, com o auxílio da central sindical americana IWW. Na investida, os anarquistas tomam algumas cidades importantes, como Mexicali, e, em 30 de Janeiro, proclamam a primeira república socialista da história: a «República Socialista da Baixa Califórnia».

Estes acontecimentos e o rumo que levam causam preocupações a Díaz, as também a Francisco Madero, Para o futuro presidente, ainda em processo de guerra civil, a iniciativa dos anarquistas colocava em risco o estado de Direito no México. O magonismo caracterizava-se como uma oposição claramente radical e incompatível com a transição pacífica para um modelo democrático burguês. Após cinco meses de resistencia, os magonistas, isolados, atacados pelo exército ianque e sem apoio das forças que se opunham a Diáz, tiveram que recuar para o território americano.

Contudo, a influência dos Magón, e especialmente, de Ricardo Magón não cessava de crescer. Da tribuna do «Regeneración», os Magon declaravam a luta de classes. Defendiam uma concepção agrário-comunista com teor explosivo para a época. As suas ideias feriam de morte, os projectos defendidos por revolucionários burgueses.

Diziam, em 1910, Magón: «A solução do problema do homem não está na subdivisão da terra em pequenas propriedaes, mas em unir todas as terras e trabalhá-las em comum, sem patrões, governantes e tendo todos os homens e mulheres, o mesmo direito de trabalhar».

Às ideias dos Magón, muito depressa foi associado o grito de Tierra e Libertad, acabando por ser adoptado exército revolucionário Zapatista. Ricardo Magón teria dito que Zapata estava à frente do único grupo afinado com o seu programa.

Entretanto, a acção revolucionária dos Magón sofre fortes limitações com várias detenções em prisões dos EUA. Contudo, com as suas ideias, e o forte apoio que detêm mas massas mexicanos, chegam a ser convidados por Francisco Madero para cargos no governo saído da queda de Diáz. Ricardo Magón, o mais influente dos irmãos, teve um convite para ser vice-presidente da república, o mais novo dos irmãos, Henrique, o Ministério do Governo, que recusaram, ao contrário do irmãos mais velho, Jesús, que serviu no gabinete de Madero,

Com a revolução russa, os EUA iniciam uma política de perseguição aos «radicais» estrangeiros em território americano. Este fenómemo chamado de «Terror Vermelho» não poupou os irmãos Magón. Em 1920, Ricardo Magón, recusa uma pensão vitalícia do Estado mexicano, por entender que seria uma traição às suas convicções. Acaba por morrer, na sua cela, em Novembro de 1922, alguns dizem que foi assassinado. Por empenho dos ferroviários dos EUA e México, foi transladado para o seu país natal. Ao longo da via férrea, em território mexicano, foi escoltado pelos populares que lhe renderam a última homenagem. Actualmente encontra-se sepultado Rotunda das Personagens Ilustres, na Cidade do México.

O seu irmão Henrique, após a morte de Ricardo regressou ao México, acabando por ter desavências com outros integrantes do que foi a Junta organizadora do PLM.

Em 1933, juntamente com lídres da Liga Nacional Agraria particiou na fundação da Confederação Campesina Mexicana, que apoiou a candidatura de Lázaro Cárdenas, presidente que levou a cabo uma reforma agrária.

Henrique Magón faleceu na Cidade do México em Outubro de 1954.

Fontes: «Wikipédia» (internet) e Livro «Flores Magón, a Revolução Mexicana», Editora Imaginária, Brasil

quarta-feira, março 18, 2009

FMLN – da guerrilha à Presidência

A vitória de Maurício Funes, candidato da FMLN, nas eleições do passado domingo, abre um novo caminho para o povo de El Salvador, depois da aplicação de políticas liberais pela Aliança Republicana Nacionalista (ARENA).
O resultado de vinte anos de privatizações da electricidade, da banca e das telecomunicações, assim como o abandono da moeda própria, o colón, está à vista: a pobreza atinge 40% da população.
El Salvador, com seis milhões de habitantes, é um dos países mais violentos do mundo, com uma média de 12 pessoas assassinadas por dia.
Digam lá, se, com a devida distância, estes factos, não têm semelhança com Portugal?

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

LIBERDADE SEM PÃO...

Liberdade sem pão não é liberdade.
Sem liberdade, o pão é escuro e amargo.
Enquanto a alvorada é uma rosa branca,
o pino da tarde é um toiro bravo.
Entre o destino aceite e o escolhido,
é o mais custoso o que mais me quadra.
Pode viver-se preso e ser-se livre.
Pode viver-se livre e ser-se escravo.
Armindo Rodrigues

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Messias comprado


Agora não é a altura de falar de dinheiro, portanto não falamos acerca disso, quanto custou eleger o novo presidente (e parlamentares) nos EUA: 5,3 biliões de dólares. Essa soma recorde, nós agradecemos principalmente ao novo messias Barack Obama.
Ele recolheu para a sua companha 600 milhões de dólares de donativos. Para comprá-lo, portanto, todos os habitantes (não somente os eleitores) dos EUA, em teoria, gastaram cerca de 18 dólares.
Desde sempre Obama, é até agora, o mais dispendioso (pois bem, o mais caro) presidente, apesar de isso, ele, na parte final da campanha abdicou dos impostos e financiamentos e ficou apenas com o dinheiro dos donativos. O seu rival John McCain contentou-se com 84 milhões de dólares de impostos.
Nós demoramo-nos, porque estas e outras indicações não são costume nos EUA. Por exemplo participaram um recorde de eleitores de 64,2%: 95% dos afro-americanos votaram no negro Obama, o qual recolheu 53% comparavelmente com McCain com 46% – portando uma diferença de somente 7% (ou 9 milhões de votos).
Isso parece ser normal resultado, porque é similar à proporção, também nas eleições antecedentes.
Também por causa do complicado sistema eleitoral americano, Obama ganhou 365 «electors», que é como nos EUA se chamam esses homens, que finalmente irão votar para confirmar no lugar o presidente.
O seu rival ganou 173 eleitores finais, e assim Obama poderá ocupar o posto em 20 de Janeiro de 2009.
Também relativamente a isso Obama não recolheu o recorde de nomeações, por exemplo o pai do actual presidente, George Bush, em 1988 obteve 426 e o famoso Ronald Reagan, em 1984, conseguiu até mesmo 525 eleitores finais.
Talvez o aborreça com todos estes números, mas eles mostram claramente, que essas eleições americanas não foram nada de extraordinário de acordo com aquele critério. Extraordinária foi o muito dinheiro, que Obama arrecadou e as despesas para sua espectacular campanha, e por outro lado, foi sensacional, que pela primeira vez um negro ser eleito presidente americano. Certamente, Obama tem muitas vantagens comparavelmente ao seu rival mais velho: Ele, muito mais novo, tem sem dúvida, carisma. Verdadeiramente, portanto, ficam abertas muitas esperanças com o novo presidente. Mas nós ficaremos, já agora, contentes, se ele tiver um registo normal, e dessa maneira, normal, como de facto estiveram as eleições – depois da era de Bush, o pior presidente dos EUA.
Sinceramente
Stefan Maul
In Monato (revista de Esperanto)

Uma apreciação racional, distanciada, esperançosa, mas realista, diferente das loas ocas com que nos encheram as televisões.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Referendos na Bolívia e na Venezuela

Em 25 próximo e em 15 de Fevereiro, realizar-se-ão referendos constitucionais, respectivamente na Bolívia e na Venezuela.
Eis as principais questões desses referendos…

Bolívia
Na Bolívia o referendo sobre a nova constituição boliviana é fruto de um acordo entre o governo de Evo Morales e a oposição. Mais de 100 artigos da proposta inicial foram alterados durante as negociações.
Na primeira versão, estava proclamada a possibilidade de Evo Morales permanecer no governo até 2019. Contudo, ele aceitou concorrer apenas uma reeleição.
Sendo assim, no caso de vencer o sim, o actual mandato será encurtado, efectuando-se as eleições presidenciais e parlamentares em Dezembro deste ano.

Venezuela
No referendo venezuelano irá votar-se o apoio ou rejeição a uma proposta de emenda dos artigos 160, 162, 174, 192 e 230 da Constituição.
No caso da maioria votar sim, todos os governantes que foram eleitos mediante voto popular, poderão concorrer e ser reeleitos em novos actos eleitorais.
Em referendo anterior, os venezuelanos inviabilizaram esta pretensão do governo.
Contudo, essa proposta foi votada em conjunto com outras questões diversas e avulsas.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Quero andar num autocarro destes!!!


A campanha ateia em autocarros ingleses deu que falar. Não é habitual que os desprovidos de crença religiosa decidam expandir a sua verdade e muito menos em anúncios pagos. Os reclames da Atheist Bus Campaign no exterior dos autocarros dizem apenas "Provavelmente não há deus. Pare já de se preocupar e goze a sua vida."
Depois do que temos visto e ouvido nos últimos tempos, cada vez me apetece mais andar num autocarro como este.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Satélite venezuelano Simon Bolívar está no ar


Com um peso de 5100 kg, dimensões de 3,6 m x 2,6 m x 2,1, fabricação na República Popular da China e com um valor superior a 400 milhões de dólares, o satélite Simon Bolivar foi lançado em 29 de Outubro último.
O objectivos do satélite é facilitar o acesso e trasmissão de serviços de dados pela internet, televisão, telemedicina e teleeducação.
O governo venezuelano afirma que servirá também para a integração latino-amercana e impulsionará a União das Nações Sul-americanas.
Todo o manuseamento do satélite é feito na Venezuela, por trabalhadores venezuelanos, que para o efeito, receberam formação na China.
Mais uma vez, a comunicação social privada da Venezuela, omitiu totalmente este importante facto, demonstrando claramente a sua falta de patriotismo. Nada admira, ao mesmo tempo que se dava um golpe de Estado contra o seu presidente, essa mesma comunicação, que sempre reclama contra a falta de liberdade, transmitia telenovelas cor-de-rosa.
Lá, tal como cá, tudo se espera.

foto: lançamento do satélite in «realidadalternativa.wordpress.com/»

terça-feira, janeiro 13, 2009

Factor sustentabilidade - estão a meter a mão no nosso bolso

O novo decreto-lei 187/07 fez baixar substancialmente o valor das pensões para os reformados. Não é só a introdução apressada do novo método de cálculo, mas, também, o controverso factor de sustentabilidade.
Em 2008, primeiro ano de aplicação, os valores reduziram 0,56%, mas, no segundo ano, ou seja, quem se reformar em 2009, esse valor passou para 1,32%, um aumento de 0,76%, o que significa mais 35%, apenas num ano.
Estes números significam, que no ano de 2015, por exemplo, o valor da pensão será, no mínimo, inferior em 8%.
Mas, entretanto, o Governo faz descer as contribuições do patronato para a Segurança Social e, por outro lado, a gestão do Fundo de Capitalização atirou com 300 milhões de euros para o lixo, com os investimentos ruinosos do nosso dinheiro na Bolsa.
A Segurança Social é o pólo mais importante do bem-estar dos portugueses e do país: tem de haver mais cuidado com os investimentos e tem de se aumentar o poder de compra dos reformados, e, não reduzi-lo. É uma forma de desenvolver o país.
Triste sina a nossa, os nossos governantes têm as vistas tão curtas.