Apesar da globalização económica promovida pela União Europeia, na Alemanha, aumenta o número de pobres.
Se este país, dos mais poderosos da Europa está nesta situação, qual será o futuro de países débeis como Portugal. Não é preciso ser grande especialista para o prever: continuação da crise, definhamento das nossas empresas em prejuízo de outras concorrentes mais poderosas, que cada vez mais ganham novos mercados.
Infelizmente confirmam-se os alertas, que alguns políticos portugueses fizeram e que foram sempre desvalorizados: no choque da panela de ferro e da panela de barro, aquela derrotaria a segunda.
Vejamos o relatório do governo alemão, publicado no DW – World.de:
Relatório do governo alerta: 25% dos alemães só escapam da pobreza graças ao auxílio do Estado. Desempregados e mães que criam seus filhos sozinhas são os mais atingidos pelo risco de empobrecimento.
O abismo entre as classes sociais na Alemanha acentuou-se nos últimos anos. Segundo relatório divulgado pelo governo do país, a ser apresentado nesta segunda (19/05), em Berlim, aproximadamente 25% da população só consegue escapar da pobreza através de auxílios governamentais.
Precisamente 13% dos habitantes do país são considerados pobres e uma percentagem praticamente idêntica só não cai na pobreza graças a benefícios como o Kindergeld (abono familiar para filhos) e o seguro-desemprego. Por outro lado, os ricos se tornam cada vez mais ricos e "a tesoura entre ricos e pobres abre-se cada vez mais", observa Olaf Scholz, ministro do Trabalho.
Mais gente ganhando pouco
Os casos mais preocupantes para o governo são os daqueles que, apesar de um trabalho regular, continuam sob risco de pobreza. "Isso mostra que temos salários muito baixos na Alemanha e precisamos da implementação de salários mínimos", afirma o ministro social-democrata.
Por outro lado, o governo realça a importância dos benefícios sociais como o seguro-desemprego, o auxílio família e auxílio moradia, sem os quais mais 13% da população entraria para a categoria ofical dos "pobres". Os desempregados de longo prazo e as mães que criam filhos sozinhas são as categorias mais atingidas pelo empobrecimento. "Quando os pais trabalham, o risco de pobreza diminui, oscilando em torno dos 4%", aponta Scholz.
Impossibilidade de mudança
Segundo o ministro, mesmo que o governo tenha "a forma física" da pobreza sob controlo, ou seja, que o número de desabrigados seja reduzido no país, a situação daqueles que se vêem forçados a contar cada centavo é bastante desconfortável. "O pior é a sensação de que não posso mudar nada na minha situação, que não tenho chance alguma de melhorar de vida", lamenta o ministro.
Para ser considerado "rico" nas estatísticas alemãs, uma pessoa deve ter um salário líquido por mês superior a 3.418 euros. No caso de um casal com duas crianças, esse valor sobe para 7.178 euros mensais. Já pobres, segundo a definição da União Europeia, são os que ganham menos de 60% da renda média do país, ou seja, 781 euros por mês.
Resultado da política
Políticos da oposição aproveitam a divulgação do relatório para lembrar que "os números alarmantes não caem do céu, mas são resultado da política verde-social-democrata do governo anterior e da coligação de governo entre democrata-cristãos e social-democratas", actualmente no poder.
sexta-feira, maio 30, 2008
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
2 comentários:
É o resultado das politicas liberais e globalizantes que se iniciaram nas administrações dos países mais desenvolvidos, nas décadas de 80/90 que, começam agora a dar à costa, é claro que quem estava bem nessa altura e, só via para o seu lado, nunca se preocupou, bem pelo contrário com o bem estar dos povos ditos do terceiro mundo. Com as sucessivas crises económicas que, começarem a afectar o mundo dito desenvolvido as classes médias começam a abrir os olhos para a realidade da nova pobreza e desemprego pois, os “tubarões” levaram as fabricas e até serviços (o seu ganha pão), para sítios onde o custo com a mão de obra não tem nada a ver com a do ocidente.
Não sou contra a globalização, pois é necessário que os povos da América latina, África e Ásia, tenham acesso aos mesmos bens que os Ocidentais usufruem há anos. Porém esta globalização que foi, e continua a ser feita, tendo como base a exploração da mão de obra barata desses países e deslocando para ai centenas de fabricas, aumentando o desemprego na UE e EUA, deveria de ter sido feita por políticos bem formados (sem estarem na mão dos grandes grupos económicos mundiais), e a sustentabilidade aconselhada para o efeito. O que se passa é que no ocidente estão se a nivelar os salários por baixo e os efeitos são, primeiro, ricos cada vez mais ricos, pois lucram dos dois lados (bens produzidos no “terceiro mundo” e comercializados a preços ocidentais e custos com mão de obra no ocidente a baixar devido ao desemprego), segundo, os níveis de pobreza e novos pobres oriundos das classes média e baixa, aumentam diariamente, elevando assim os gastos dos estados com o pagamento de prestações sociais, pondo em causa a sustentabilidade dos mesmos. Não faço a mínima ideia como isto vai ficar, parece-me que os males já são tantos que penso serem irreversíveis, mas, com mais liberalismo não vai lá.
Boas C_Loureiro. Como vai isso?
Estou de acordo com o seu ponto de vista sobre os pressupostos que levaram à situação actual e também quanto à eventual saída.
Um abraço
Enviar um comentário